SER ARQUIVISTA

Arquivologia é um curso voltado à gestão de documentos, sendo assim, aquele que se forma na área – arquivista – é o profissional que tem o cuidado desde a produção até o arquivamento ou futura eliminação do arquivo.

O documento a ser tratado pelo arquivista não é qualquer documento, no entanto, aquele que é gerado através de uma necessidade. Exemplo: a sua certidão de nascimento – ela só foi produzida pela necessidade de registrar que você nasceu. E isso se dá para todos os outros tipos de documentações zeladas pelo profissional – necessidade.

Embora, a profissão se concretize num enlace administrativo, histórico, jurídico, patrimonial e um tanto tecnológico, afinal, lidamos com toda a informação registrada por causa de uma necessidade (como já mencionado) e em qualquer suporte (físico e/ou digital), o ser arquivista ainda não recebe a valorização que almejamos que um dia receba; em linhas gerais as pessoas não sabem quem somos ou o que fazemos, e isso afeta no fator: você contrataria um profissional que não sabe o que ele faz?

Pois bem, o mercado de trabalho na perspectiva pública segue avançando, pois corriqueiramente há concursos abertos para a vaga de arquivista, no entanto empresários/instituições particulares por vezes desconhecem o fazer arquivístico e isso dificulta a nossa atuação em rede privada. Mas, o que veio como solução foram as consultorias, as quais percebem uma demanda, que são os documentos desordenados e de modo caótico; eoferece uma oferta, a qual é orientar para que o arquivo se adeque à necessidade da pessoa física/jurídica. Sendo a consultoria em algumas circunstâncias mais viável ao empregador, por ele não estabelecer o vínculo empregatício.

Quando se trata da minha experiência com esse ramo profissional, posso afirmar que foi Deus que me colocou diante da arquivologia (bom, não sei se você acredita em Deus, mas eu sim). Acontece que eu estava confusa sobre qual graduação cursar, e recordo de ter pedido orientação a Ele, e aqui estou eu: formada. Criei planos, muitas expectativas para o após receber o diploma, contudo só vim atuar depois de um período de quase dois anos (por opção, pois durante esse tempo em que eu estava parada recebi convite para entrevista de emprego).Basicamente posso dizer que arquivologia me escolheu.

Esse bacharelado me ajudou a crescer não só como profissional, como também como pessoa. A graduação em si me possibilitou enxergar o outro de forma mais humana, a entender que não se trata só de um papel, mas de algo que pode mudar a vida de alguém. Já pensou perder o documento que te dá direito a receber uma herança? Ou de provar que você é inocente em alguma causa? Ou de receber o direito de exercer a maternidade/paternidade? Há uma infinidade de razões para um documento não ser visto como só um papel. Existe o olhar para o outro e entender que um simples cartão telefônico, coisa que nem se usa mais, pode ter sido a ultima coisa que um ente querido deixou, e ele tem mais valor que qualquer dinheiro possa comprar – ele tem necessidade de guarda devido ao valor sentimental atribuído pelo proprietário.

Já pensou se sempre tivéssemos um olhar assim? Entender que o que não é importante para você pode ser para o outro? 

O arquivista tem esse cuidado. Ele chega, faz o diagnóstico – como está o local? O que pode ser melhorado? – entende o que o arquivo como um todo precisa, o que é relevante (conversando sempre com quem usa dos documentos), o que não é. Ciente que em um lugar pode não precisar guardar um documento por muito tempo, e em outros, pode ser que o mesmo documento seja para guarda permanente.

Posso afirmar que é uma atuação de sensibilidade e cuidado, que em sua execução pode lidar com documentos que dizem respeito a toda uma sociedade. Porém, ainda tem um longo caminho a percorrer até que seja vista bela por todos.

Layene Marques – @arquivologiabr

Arquivista – UEPB, Especialista em gestão de políticas do patrimônio cultural, mas antes de qualquer formação acadêmica: sou humana, e isso me possibilita ver a vida com mais cor.

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